Manter conta bancária no Brasil sendo não residente deixou de ser burocracia intransponível — mas exige o tipo certo de conta. A conta CNR como abrir sendo brasileiro não residente é a dúvida de quem fez (ou está fazendo) a Declaração de Saída Definitiva e precisa de um canal legal para receber aluguel, investir ou remeter recursos ao exterior. A regulamentação mudou em 2025 e trouxe três modalidades com regras, custos e benefícios fiscais distintos.
Manter a conta CNR é uma peça do quebra-cabeça de quem tem imóvel no Brasil morando fora — veja o panorama completo no guia sobre brasileiro não residente e imóvel no Brasil.
O que é a Conta CNR e quem pode abrir
A Conta de Não Residente (CNR) é o modelo regulatório de conta bancária em reais para pessoas que residem fora do Brasil. Ela é criada e regulamentada pela Resolução Conjunta BCB/CVM nº 13, de 3 de dezembro de 2024, com vigência a partir de 1º de janeiro de 2025. Toda conta bancária em reais mantida por um não residente deve, desde essa data, seguir as regras da CNR.
A CNR não é um produto proprietário de um banco específico. É um tipo regulatório — cada instituição financeira decide se quer oferecer a modalidade básica (Lite), a completa (Full) ou o Regime Especial. Nem todos os bancos disponibilizam todas as variantes.
Pode abrir conta CNR:
- Qualquer pessoa física com residência fora do Brasil
- Brasileiros que formalizaram a saída via CSD ou DSDP
- Brasileiros em processo de regularização com comprovante de residência no exterior
- Estrangeiros não residentes no Brasil
A CNR é o instrumento legal correto para receber aluguel de imóvel no Brasil, fazer Pix e TED, investir em renda fixa ou variável e remeter recursos ao exterior via câmbio.
Fonte: CVM — BC e CVM simplificam aplicações de estrangeiros — gov.br/cvm (2024); Resolução Conjunta BCB/CVM 13/2024 — conteudo.cvm.gov.br
CDE e conta 4373 não existem mais: o que mudou com a Resolução BCB/CVM 13/2024
A Conta de Domiciliado no Exterior (CDE) foi extinta como categoria regulatória. Desde 1º de janeiro de 2025, a CNR é o único modelo válido para não residentes manterem conta em reais no Brasil.
A mudança é mais do que renomear um produto. A Resolução Conjunta BCB/CVM 13/2024 redesenhou toda a estrutura:
- A CDE foi absorvida e substituída pela CNR (modalidades Lite e Full)
- A Conta 4373 (Resolução CMN 4.373/2014), usada por investidores estrangeiros no mercado de capitais, foi integrada ao novo framework como CNR Full + Regime Especial
Se você tinha uma CDE antes de 2025, o banco deveria ter migrado automaticamente para CNR. Confirme com seu banco se a conversão foi feita ou se é necessária ação de sua parte.
O impacto prático da mudança foi positivo: o processo de abertura ficou significativamente mais rápido. Antes de 2025, o procedimento podia levar até 30 dias e frequentemente exigia presença física. Hoje, vários bancos concluem a abertura em até 1 dia útil, 100% online.
Fonte: CVM — Resolução Conjunta BCB/CVM 13/2024 — conteudo.cvm.gov.br (publicado 03/12/2024)
CNR Lite, Full e Full Regime Especial: qual é a certa para você?
As três modalidades diferem em dois eixos: o que você pode fazer com a conta e quanto paga de imposto. A escolha depende do seu perfil — se você tem apenas um imóvel alugado ou se mantém volume de investimentos no Brasil.
CNR Lite — para quem precisa só de operações básicas
A CNR Lite atende a maioria dos proprietários não residentes com imóvel para alugar. Permite:
- Receber rendimentos do Brasil (aluguel, dividendos simples)
- Fazer Pix e TED
- Investir em produtos de renda fixa básicos (CDB, LCILCIVer tudo →, LCA em alguns bancos)
Restrições: sem acesso direto à B3, sem Tesouro Direto, sem renda variável. Tributação pelo regime geral (IR sobre cada rendimento conforme as alíquotas padrão). Geralmente sem tarifa de manutenção.
Para o proprietário que quer receber o aluguel líquido e eventualmente remeter ao exterior, a CNR Lite é suficiente.
CNR Full — para quem quer acessar o mercado de capitais
A CNR Full dá acesso ao mercado de capitais completo: renda fixa, renda variável, B3, Tesouro Direto, fundos de investimento. A tributação segue o regime geral — IR incide normalmente sobre cada ativo (15% em renda fixa, tabela progressiva sobre ganho de capital em renda variável). Custo: varia por banco; algumas instituições cobram tarifa de manutenção.
CNR Full + Regime Especial — para o investidor ativo com recursos do exterior
Este é o substituto direto da antiga conta 4373. É a modalidade com maior vantagem fiscal, voltada para quem aporta recursos do exterior para investir no Brasil ativamente.
Benefícios tributários do Regime Especial:
- Isenção de IR sobre ganhos em renda variável (ações e FIIs listados na B3) para recursos vindos do exterior
- Isenção de IOF em operações de câmbio vinculadas a investimentos nos mercados financeiro e de capitais
- Alíquota zero de IR em títulos de crédito privado: Letras Financeiras (LF), debêntures, Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRICRIVer tudo →) e do Agronegócio (CRA)
O custo é significativamente mais alto. Em alguns bancos como BTG Pactual, o custo anual reportado por fontes de mercado chegou a R$ 24 mil.
| Modalidade | Acesso a renda variável | IR renda variável | IOF câmbio | Perfil indicado |
|---|---|---|---|---|
| CNR Lite | Não | — | Regime geral | Proprietário com aluguel |
| CNR Full | Sim | Padrão (15%+) | Regime geral | Investidor moderado |
| CNR Full + Regime Especial | Sim | Isento (recursos do ext.) | Isento (investimentos) | Investidor ativo |
Fonte: Resolução Conjunta BCB/CVM 13/2024; CVM — Investidores Não Residentes — gov.br/cvm (acesso 2026-05-08)
Como abrir sua Conta CNR: documentos e bancos disponíveis
O processo de abertura da CNR se tornou mais ágil com a Resolução 13/2024. Vários bancos aceitam abertura 100% online do exterior, com análise em até 1 dia útil. O conjunto documental padrão exigido é:
- Documento de identidade com foto — passaporte brasileiro válido ou CNH reconhecida no país de residência
- CPF — permanece ativo mesmo após a DSDP; é obrigatório para qualquer ato jurídico no Brasil
- Comprovante de residência no exterior — emitido nos últimos 3 meses (conta de luz, telefone, extrato bancário, correspondência de órgão público)
- NIF (Número de Identificação Fiscal) do país de residência — exigido pela maioria dos bancos por compliance internacional (KYC)
- CSD ou DSDP — comprovante formal de não residência fiscal para brasileiros
Brasileiros que ainda não fizeram a CSD ou DSDP podem ter dificuldade em alguns bancos. Outros aceitam comprovante de residência exterior sem a declaração formal.
Bancos que oferecem CNR (dados de fontes secundárias, 2025): BTG Pactual (Full + Regime Especial), Banco Rendimento (CNR padrão), C6 Bank (foco digital).
Para jurisdições de alto risco regulatório, alguns bancos aplicam KYC reforçado, o que pode alongar o prazo de abertura. Confirme com o banco de sua preferência antes de iniciar.
Fonte: CVM — BC e CVM simplificam — gov.br/cvm (2024); dados bancários de fontes secundárias confirmados como padrão de mercado desde jan/2025
Conta CNR para quem tem imóvel para alugar: como receber o IRRF corretamente
Este é o uso mais comum da CNR para proprietários não residentes. O fluxo correto de recebimento de aluguel funciona assim:
Passo 1 — Nomeação de procurador
O não residente precisa de um procurador no Brasil — administradora imobiliária ou pessoa de confiança — com poderes formais para receber o aluguel e recolher o IR.
Passo 2 — Retenção e recolhimento do IRRF
O procurador retém 15% de IRRF sobre o valor líquido do aluguel e recolhe via DARF. O valor líquido é o aluguel bruto deduzido de:
- IPTUIPTUVer tudo →
- Condomínio
- Taxa de administração da imobiliária
- Comissão de cobrança
Passo 3 — Crédito na conta CNR
O saldo líquido (aluguel menos IRRF e despesas) é depositado na conta CNR do proprietário. O IR já está quitado — o não residente não entrega declaração anual de IRPF sobre esse rendimento.
Passo 4 — Remessa ao exterior (opcional)
O saldo da CNR pode ser convertido para moeda estrangeira e remetido ao exterior via operação de câmbio. A CNR foi desenhada para facilitar essa movimentação.
Para que o fluxo funcione corretamente, é essencial que o procurador ou a administradora saiba que você é não residente. Sem essa informação, o IRRF pode ser recolhido como residente, gerando passivo fiscal para ambos. Se você busca uma administradora experiente nesse regime, veja como a Regente estrutura a administração de imóveis para brasileiros não residentes.
IOF sobre a remessa: Em 2025, o Decreto 12.467/2025 alterou as alíquotas de IOF para câmbio. Remessas para conta própria no exterior passaram a 3,5% no regime geral.
Fonte: Receita Federal — Tributação não residente — gov.br/receitafederal (acesso 2026-05-08)
Investimentos e isenções fiscais com a Conta CNR
A CNR, especialmente no Regime Especial, oferece vantagens tributárias relevantes para o não residente que mantém ativos financeiros no Brasil.
Isenção de IR em renda variável — Regime Especial
Investidores não residentes que aportam recursos do exterior e investem via CNR Full + Regime Especial têm isenção de IR sobre ganhos em renda variável — ações e Fundos de Investimento Imobiliário (FIIFIIVer tudo →) listados na B3. Essa é uma vantagem significativa frente ao investidor residente, que paga 15% a 20% sobre os mesmos ganhos.
Isenção de IR em títulos de crédito privado
Para não residentes, há isenção de IR sobre rendimentos de:
- Letras Financeiras (LF) emitidas por instituições financeiras
- Debêntures emitidas por empresas brasileiras
- Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI)
- Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA)
Essa medida foi estabelecida para reduzir o custo de captação de empresas brasileiras no mercado externo e é confirmada por legislação vigente desde 2022.
IR em títulos públicos — alíquota zero no Regime Especial
Para não residentes que investem via CNR com enquadramento no Regime Especial (Resolução Conjunta BCB/CVM 13/2024), a alíquota de IR sobre rendimentos de títulos públicos federais (LFT, LTN, NTN-B) é zero — conforme Lei 11.312/2006 e atualizações, mantida pelo marco regulatório vigente em 2025–2026. Essa isenção se aplica a rendimentos gerados por aplicações financeiras cujos recursos são oriundos do exterior. Confirmar o enquadramento específico com a instituição financeira antes de operar.
Isenção de IOF no Regime Especial
O Regime Especial manteve, conforme a Resolução BCB/CVM 13/2024, a isenção de IOF em operações de câmbio vinculadas a aplicações nos mercados financeiro e de capitais. Na prática:
- Remessa de recursos do exterior para aplicar na B3: IOF zero
- Remessa do lucro de volta ao exterior (proventos de investimentos): IOF zero
Essa isenção pode representar economia de 1,1% a 3,38% sobre o valor movimentado, dependendo da operação.
Fonte: Resolução Conjunta BCB/CVM 13/2024; CVM — Investidores Não Residentes — gov.br/cvm (acesso 2026-05-08)
Quanto custa enviar dinheiro do exterior para comprar imóvel via Conta CNR?
O custo de remessa internacional para aquisição de imóvel no Brasil envolve a operação de câmbio — e a CNR é o canal regulatório correto para essa movimentação. A análise de viabilidade deve considerar três componentes:
1. Spread cambial — diferença entre a taxa de câmbio oficial e a taxa praticada pelo banco. Varia entre 0,5% e 2% dependendo da instituição e do volume.
2. IOF sobre a operação de câmbio — para compra de imóvel, a alíquota de IOF incidente sobre a remessa de capital estrangeiro destinada a investimento em imóvel pode ser diferente da alíquota para transferência de renda.
3. Tarifa da operação — alguns bancos cobram tarifa fixa por operação de câmbio, independentemente do volume.
Para quem busca o menor custo de câmbio, é recomendável comparar ao menos três instituições antes de fechar a operação. Bancos especializados em câmbio para não residentes costumam oferecer spreads menores que grandes bancos de varejo.
Para entender o processo completo de envio de recursos do exterior para compra de imóvel, veja o guia sobre remessa internacional para comprar imóvel no Brasil.
Perguntas frequentes — Conta CNR
A CNR é a mesma coisa que a CDE (Conta de Domiciliado no Exterior)?
Não. A CDE foi extinta como categoria regulatória em 1º de janeiro de 2025, quando a Resolução Conjunta BCB/CVM 13/2024 entrou em vigor. A CNR é o novo modelo que a substituiu, com estrutura mais clara e abertura mais ágil. Se você tinha uma CDE, confirme com seu banco se foi migrada para CNR.
Preciso ter feito a DSDP para abrir uma CNR?
Legalmente, o que a norma exige é que você seja de fato não residente. Na prática, a maioria dos bancos pede a CSD ou DSDP como comprovante documental. Quem ainda não formalizou a saída junto à Receita Federal pode ter dificuldade em alguns bancos. O caminho mais seguro é fazer a CSD/DSDP antes ou em paralelo à abertura da CNR.
Quanto tempo leva para abrir uma CNR?
Desde que a Resolução 13/2024 simplificou o processo, vários bancos concluem a abertura em até 1 dia útil para documentação em ordem. Antes de 2025, o processo podia levar até 30 dias. Jurisdições de alto risco regulatório podem ter prazos maiores por exigências de KYC reforçado.
Posso investir na B3 usando a conta CNR?
Depende da modalidade. CNR Lite: não. CNR Full: sim, pagando IR padrão. CNR Full + Regime Especial: sim, com isenção de IR sobre ganhos em ações e FIIs quando os recursos são aportados do exterior.
O procurador pode usar a minha CNR diretamente?
Não. A CNR é do titular (não residente). O procurador opera no Brasil em nome do titular — recebe o aluguel, retém o IRRF de 15%, recolhe o DARF e deposita o saldo na CNR do proprietário. O procurador não tem acesso direto à conta CNR, salvo com poderes de representação expressamente previstos em procuração.
O que acontece com minha conta corrente comum após a DSDP?
A conta corrente comum fica em situação irregular após a formalização da não residência. Ao notificar o banco, ele deve converter a conta para CNR. Se não notificar, a inconsistência cadastral permanece e pode gerar retenção incorreta de IR.
Posso mudar de modalidade CNR depois (de Lite para Full, por exemplo)?
Em geral é possível adequar o perfil sem abrir nova conta, mas cada banco tem seu próprio processo interno.
A Regente integra a gestão do imóvel ao fluxo correto da sua Conta CNR
Ter a conta CNR aberta é o primeiro passo. O segundo é garantir que a imobiliária no Brasil opera no regime correto para não residentes — recolhendo o IRRF de 15% no prazo, emitindo os DARFs corretamente e depositando o saldo líquido diretamente na conta CNR.
A Regente administra imóveis de proprietários não residentes em Florianópolis com domínio do regime fiscal aplicável. Cada repasse vem acompanhado da documentação completa. Se você tem imóvel na Ilha, fale com nosso time.





