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Jan Gehl, o Urbanista Que Mudou Copenhague, Traçou 70 Propostas Pra Florianópolis — Sem Nenhuma Ainda Financiada

Jan Gehl entregou 70 propostas pro Centro de Florianópolis — mas nenhuma tem verba de execução ainda. Veja o que muda e quem pagou o estudo.

Jan Gehl, o Urbanista Que Mudou Copenhague, Traçou 70 Propostas Pra Florianópolis — Sem Nenhuma Ainda Financiada

Ciclistas passando pelo canal colorido de Nyhavn, em Copenhague

Photo by Febiyan on Unsplash

Florianópolis contratou um dos nomes mais respeitados do urbanismo mundial para repensar o
Centro da cidade. O resultado: um estudo de seis meses, mais de 70 propostas concretas — e, até
agora, zero reais destinados a executar qualquer uma delas.

Veja quem é Jan Gehl, o que ele propôs pro Centro de Florianópolis, quem pagou a conta do
estudo e por que “projeto entregue” ainda está bem longe de “obra garantida”.


Quem é Jan Gehl e por que ele foi chamado

Copenhague, Nova York, Cidade do México

Jan Gehl é o urbanista dinamarquês por trás da transformação de Copenhague, que desde os anos
1960 vem priorizando pedestres e ciclistas sobre carros — hoje uma das cidades mais citadas do
mundo como referência em urbanismo humano. O escritório dele, Gehl Architects, também assinou
projetos de requalificação em Nova York e na Cidade do México. Florianópolis é a mais recente
cidade brasileira a contratar essa consultoria.

Quem pagou o estudo (e por que isso importa)

O estudo, batizado “Floripa para Todos”, custou R$ 1,2 milhão — financiado integralmente pela
CDL Florianópolis e pela ACIF, as duas principais entidades empresariais da cidade,
sem uso de recursos públicos. A coordenação técnica local ficou com o LUA (Laboratório de
Urbanismo e Arquitetura). Isso importa porque muda a natureza do projeto: não é uma encomenda da
Prefeitura com orçamento público, é uma iniciativa do setor privado oferecendo um diagnóstico —
o que ajuda a explicar por que a execução ainda não tem verba definida (mais sobre isso adiante).


As 70+ propostas entregues

O estudo levou seis meses e resultou em mais de 70 propostas concretas para o Centro Histórico
de Florianópolis, entre o Morro da Cruz e a Ponte Hercílio Luz — área que inclui o Centro
Histórico, a Passarela da Cidadania e o CentroSul.

Mercado Público e Rua Francisco Tolentino

Uma das propostas mais visíveis é a criação de uma praça-jardim de 8.000 m² ao redor do Mercado
Público. A Rua Francisco Tolentino ganharia redesenho com prioridade para pedestres, vegetação
nativa e superfícies permeáveis no lugar de asfalto contínuo.

Beira-Mar Norte de ponta a ponta

O projeto prevê transformar a Avenida Beira-Mar Norte num espaço orientado a pessoas, criando
uma área contínua de lazer e convivência que vai do Parque Náutico até o CIC — hoje um trecho
fragmentado entre calçadão, pista de rolamento e pontos isolados de lazer.

Rua Esteves Júnior e a zona escolar

Para a Rua Esteves Júnior, concentração de escolas no Centro, as propostas incluem
acalmamento de tráfego, áreas organizadas de embarque e desembarque escolar, bicicletário e
desenho urbano pensado para crianças — resposta direta a um problema crônico de trânsito
caótico nos horários de entrada e saída das aulas.


O horizonte de 50 anos: Floripa 400 (2076)

Diferente das outras obras que acompanhamos em Florianópolis, este não é um projeto com prazo
de entrega. O horizonte declarado é guiar o desenvolvimento urbano da cidade até o aniversário
de 400 anos de Florianópolis, em 2076 — cinquenta anos à frente. É um documento de diretrizes de
longo prazo, não um cronograma de obra.


O que falta: dinheiro pra sair do papel

Aqui está o ponto central que separa este projeto dos demais: o documento propõe “implementação
gradual”, combinando intervenções estruturais com urbanismo tático — soluções de baixo custo e
execução rápida, como pintura de solo e mobiliário urbano temporário, que costumam anteceder
obras definitivas. Mas não há data de conclusão nem valor de investimento para a execução.

A responsabilidade agora é da Prefeitura: avaliar as diretrizes, desenvolver os projetos
executivos e buscar recursos. Em outras palavras, o financiamento do estudo (privado, já pago)
e o financiamento da obra (público ou público-privado, ainda inexistente) são duas contas
completamente separadas — e só a primeira está resolvida.


Perguntas frequentes

Quem financiou o projeto de Jan Gehl para Florianópolis?

A CDL Florianópolis e a ACIF, com investimento de R$ 1,2 milhão, sem uso de recursos públicos.
A coordenação técnica local foi do LUA (Laboratório de Urbanismo e Arquitetura).

O projeto já tem verba para ser executado?

Não. O estudo entregou mais de 70 propostas e diretrizes, mas cabe à Prefeitura desenvolver os
projetos executivos e buscar recursos para a execução — que ainda não tem valor nem prazo
definidos.

O que muda na Avenida Beira-Mar Norte com o projeto?

A proposta é transformá-la num espaço orientado a pessoas, com uma área contínua de lazer e
convivência que vai do Parque Náutico até o CIC, no lugar do trecho fragmentado atual.

Quando as propostas de Jan Gehl vão virar obra?

Não há prazo definido. O horizonte declarado do projeto é 2076, os 400 anos de Florianópolis —
um documento de diretrizes de longo prazo, não um cronograma de obra com data de entrega.

Jan Gehl já fez outros projetos famosos?

Sim. Ele é conhecido por transformar Copenhague desde os anos 1960, priorizando pedestres e
ciclistas, e seu escritório também trabalhou em projetos de requalificação urbana em Nova York
e na Cidade do México.


Entre 70 propostas no papel e uma verba de execução que ainda não existe, o projeto de Jan Gehl
para Florianópolis é o mais estratégico — e o mais distante de virar obra — entre os que
acompanhamos na cidade. Veja as outras obras e projetos que já saíram do
papel
no nosso guia
completo.

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