Turismo esportivo: maratonas, remo, surf e esportes de vento em Florianópolis
Se você pensa em Florianópolis como destino, a praia costuma vir primeiro. Mas a cidade também é um destino esportivo consolidado, com maratona internacional, clubes de remo centenários e ventos que atraem atletas do mundo todo. Esse perfil de turismo diz muito sobre quem escolhe viver aqui, não só visitar.
A ilha reúne condições que poucas cidades brasileiras têm ao mesmo tempo: relevo com trechos planos e outros de subida real, baía protegida para remo e ventos constantes na costa leste. Cada modalidade encontrou seu lugar na geografia local. Por isso o turismo esportivo aqui não é um nicho artificial, é reflexo direto do território.
A Maratona Internacional de Floripa e o rótulo de capital do esporte
A Maratona Internacional de Floripa 2025 reuniu entre 19,1 e 19,2 mil atletas inscritos nas provas de 42 km, 21 km e 5 km, um salto em relação aos 16,5 mil de 2024. Dos inscritos, 15.439 completaram a prova. O crescimento chancelou Florianópolis como o que a imprensa esportiva vem chamando de “capital brasileira do esporte” ND+ (2025).
O evento movimenta a cidade por um fim de semana inteiro, e o efeito não é só esportivo. Atletas de fora trazem família, ficam mais dias e conhecem bairros que dificilmente apareceriam num roteiro turístico convencional Fonte (2025).
Passar de 16,5 mil para quase 19,2 mil inscritos em um ano não é um salto isolado. É sinal de um calendário esportivo que amadureceu, com estrutura e tradição suficientes para sustentar esse crescimento ano após ano.
Vale notar que os 15.439 concluintes representam a maior parte dos inscritos completando o percurso, o que indica que a estrutura de apoio (hidratação, trajeto, segurança) acompanha o volume de participantes, e não só o tamanho do evento no papel.
Os três clubes de remo que fundaram a tradição náutica da cidade
Florianópolis tem uma das tradições de remo mais antigas do país, e aqui vale uma correção que costuma circular errado: os clubes fundacionais e historicamente tradicionais são três, não quatro.
São eles o Clube Náutico Riachuelo (1915, azul e branco), o Clube Náutico Francisco Martinelli (1915, vermelho e preto) e o Clube de Regatas Aldo Luz (1918). Os três foram os membros fundadores da Federação Catarinense de Remo, criada em 1919 ND+, Federação de Remo SC.
Vale confirmar antes de repetir por aí: uma reportagem recente menciona “quatro clubes” disputando o Campeonato Estadual atual. Isso descreve a competição de hoje, que pode incluir um clube adicional sem raiz fundacional, não o núcleo histórico da cidade. Em conteúdo editorial, o termo correto é “três clubes tradicionais”: Riachuelo, Martinelli e Aldo Luz.
Essa tradição de mais de cem anos aparece na paisagem urbana: as sedes dos clubes ficam à beira-mar, e o remo ainda é praticado com regularidade nas águas calmas da baía.
O remo ajudou a moldar a identidade esportiva da capital catarinense antes mesmo de o turismo de praia virar sinônimo da cidade. Riachuelo, Martinelli e Aldo Luz existiam décadas antes de Florianópolis se tornar destino de veraneio em massa, um capítulo mais antigo, e menos contado, da história esportiva local.
Por que Florianópolis virou polo de kitesurf, windsurf e sandboard
O relevo e o regime de ventos da ilha criam condições raras para esportes de vento. Florianópolis tem cerca de 250 dias por ano propícios ao kitesurf, perto de 70% do calendário anual. A cidade concentra polos por nível de experiência: a Lagoa da Conceição recebe iniciantes, enquanto a Praia Mole atrai praticantes avançados Guia Floripa.
O Campeche Beach Festival of Windsurf and Kitesurf reforça esse perfil, buscando trazer etapas do circuito mundial para a cidade Litoral de Santa Catarina.
Essa divisão geográfica por nível de prática não é acaso. A Lagoa da Conceição tem águas mais protegidas e vento mais previsível, ideal para quem está começando; já a Praia Mole enfrenta mar aberto, o que exige mais domínio técnico. Quem viaja para praticar já sabe disso e escolhe a hospedagem, ou, num número crescente de casos, o bairro para morar, em função dessa divisão.
Há também uma curiosidade histórica pouco explorada: o sandboard, hoje praticado em dunas de várias partes do país, tem origem documentada em Florianópolis nos anos 1980, como variação direta do snowboard. A cidade não é só destino do esporte, é onde ele nasceu no Brasil.
Sobre outras modalidades, esportes de combate ou de tabuleiro, como taekwondo, jiu-jítsu, boxe ou xadrez, vale confirmar antes de afirmar volume ou relevância: a presença de academias na cidade é plausível, mas não há dado quantitativo levantado até aqui. [verificar]
A divisão por praia também importa para quem pensa em se mudar. Iniciante ou avançado, cada perfil de praticante tem um trecho da orla que já reconhece como seu, e isso costuma pesar na hora de escolher onde morar, especialmente para quem pratica esporte de vento como rotina, não só em viagem.
O que o turismo esportivo revela sobre quem escolhe morar na cidade
Quem vem correr a maratona, remar na baía ou pegar vento na Lagoa costuma voltar, e parte dessas pessoas volta para ficar. Entender esse perfil ajuda a entender por que bairros próximos à orla e às sedes náuticas atraem um público que não busca apenas paisagem, mas rotina esportiva.
Esse morador não escolhe o bairro pela vista, escolhe pela distância até a sede do clube, até a pista de treino ou até o ponto de vento certo. É uma lógica de ocupação do território diferente da do veranista tradicional, e ela molda a demanda por imóveis em regiões específicas da ilha ao longo do ano inteiro, não só na alta temporada.
Esse é só um dos vários perfis de turismo que moldam quem se muda para Florianópolis. Para entender o quadro completo, negócios, gastronomia, fé e cultura incluídos, veja o guia [LINK: pluralidade-perfis-turismo-florianopolis].
Perguntas frequentes
Quantos atletas participaram da Maratona Internacional de Floripa em 2025?
Entre 19,1 e 19,2 mil atletas se inscreveram nas provas de 42 km, 21 km e 5 km, com 15.439 concluintes, um salto frente aos 16,5 mil inscritos de 2024.
Quantos clubes de remo tradicionais existem em Florianópolis?
Três: Clube Náutico Riachuelo (1915), Clube Náutico Francisco Martinelli (1915) e Clube de Regatas Aldo Luz (1918). Foram os fundadores da Federação Catarinense de Remo em 1919. Menções a “quatro clubes” se referem à composição atual do campeonato estadual, não à tradição fundacional.
Por que Florianópolis é boa para kitesurf e windsurf?
Porque tem cerca de 250 dias por ano com ventos propícios, perto de 70% do calendário. A Lagoa da Conceição concentra iniciantes e a Praia Mole recebe praticantes avançados, com festivais próprios como o Campeche Beach Festival of Windsurf and Kitesurf.
O sandboard nasceu em Florianópolis?
Há registro documentado de que o sandboard, como variação do snowboard, tem origem em Florianópolis nos anos 1980, antes de se espalhar para outras regiões de dunas do país.




