Urbanismo e Planejamento

Masterplan Gehl: o projeto de 70 propostas que vai redesenhar o centro

Masterplan Gehl para o Centro de Florianópolis: mais de 70 propostas, financiamento privado e o que muda no bairro.

Pessoas caminhando em rua movimentada de centro urbano brasileiro, prédios ao fundo

Se você acompanha o Centro de Florianópolis há alguns anos, viu prédios fechados, comércio tradicional perdendo fôlego e uma sensação de bairro estacionado no tempo. É esse Centro que o Masterplan Floripa Centro tenta redesenhar, não com uma reforma pontual, mas com mais de 70 propostas de requalificação urbana assinadas pela Gehl Architects, escritório dinamarquês referência mundial em urbanismo humano, ligado ao arquiteto Jan Gehl.

O projeto tem entrega prevista para março de 2026. Como este guia é publicado depois dessa data, vale confirmar diretamente com a Prefeitura ou com a CDL Florianópolis se a entrega já ocorreu e qual é a fase atual do plano antes de tratar qualquer proposta como definitiva.

1. O que é o Masterplan Floripa Centro

O plano “Floripa Centro” nasceu como um estudo urbano encomendado à Gehl Architects, com investimento de R$1,2 milhão. O dado que chama atenção não é só o valor, mas a origem: capital 100% privado, via CDL Florianópolis e ACIF (Associação Comercial e Industrial de Florianópolis), sem uso de recursos públicos Fonte (2026).

Isso muda a dinâmica política do projeto. Um plano bancado pelo comércio local tende a responder mais rápido às pressões de quem já está na rua todos os dias, mas também depende da capacidade desses atores de sustentar investimento a médio prazo, sem o colchão orçamentário que uma obra pública teria.

2. As 70 propostas e os cinco eixos que as organizam

O estudo da Gehl não é uma lista solta de intervenções. As mais de 70 propostas se organizam em cinco eixos temáticos Fonte (2026):

  • Mobilidade sustentável
  • Espaços públicos e resiliência climática
  • “Projetar para crianças”, desenho urbano pensado a partir da escala infantil
  • Bairros completos”, moradia, trabalho e serviço a distâncias caminháveis
  • Turismo equilibrado o ano todo, não concentrado só no verão

O eixo “projetar para crianças” é o que mais destoa do repertório habitual de planos urbanos em capitais brasileiras. A lógica por trás dele é conhecida no urbanismo internacional: um espaço seguro e confortável para uma criança de oito anos tende a ser seguro e confortável para qualquer pessoa, incluindo idosos e pessoas com mobilidade reduzida.

3. Retrofit do calçadão: a Felipe Schmidt entra na conta

Paralelo ao Masterplan, mas dentro do mesmo movimento de revitalização, corre o retrofit do calçadão da Rua Felipe Schmidt e da Rua Trajano, liderado pela CDL Florianópolis, com prazo simbólico de conclusão em 2027, ano em que o calçadão completa 50 anos Fonte (2026).

O fluxo citado para a Felipe Schmidt é de 412 mil pessoas por mês. Vale usar esse número com ressalva: a fonte não detalha a metodologia de contagem, então ele funciona melhor como indício de movimento do que como estatística fechada de tráfego de pedestres.

4. Quem já está pagando essa conta: comércio, gastronomia e moradia

O Masterplan é o projeto guarda-chuva, mas a revitalização já aparece em iniciativas menores e mais antigas. O Movimento Bocaiúva e a Casa Hurbana somam mais de 15 anos de mobilização numa rua específica do Centro, misturando comércio tradicional com gastronomia nova, num espírito próximo ao “New Urbanism”, corrente que prioriza a escala humana e a mistura de usos num mesmo quarteirão Fonte (2026).

Do lado da moradia, o Centro também ganhou lançamentos residenciais compactos com apelo evidente a um público mais jovem: o ZENN Living Residence, com studios de 30 a 180m² e amenidades como coworking e estúdio de gravação, e o Armínio 77, com studios de 24 a 43m² Fonte (2026). É um sinal qualitativo de mudança de perfil, não uma comprovação estatística. Não existe pesquisa censitária confirmando alteração de faixa etária no Centro.

5. O que ainda pesa contra o Centro

Nenhum plano de revitalização parte do zero. O Centro carrega, há décadas, uma reputação de insegurança ligada ao esvaziamento noturno do comércio tradicional. Medidas concretas já foram implementadas, como câmeras de reconhecimento facial e patrulhamento por “diciclos” na região central, mas não há dado estatístico público que comprove queda de criminalidade associada a essas ações Fonte (2026). Vale confirmar índices oficiais junto à SSP-SC antes de tratar a questão da segurança como resolvida.

Outro dado concreto do “antes”: cerca de 120 imóveis desocupados no Centro, dos quais aproximadamente 30% tombados pelo patrimônio histórico Fonte (2026). É esse estoque de prédios parados que o Masterplan e o retrofit do calçadão tentam reverter.

6. Um paralelo internacional: o caso de Baltimore

Revitalização de centro histórico não é ideia nova nem exclusiva de Florianópolis. Em Baltimore, nos Estados Unidos, 65% dos moradores do downtown têm hoje menos de 40 anos, a vacância de imóveis caiu de 16.000 para 11.871 unidades (queda de 25%) e a cidade registra a menor taxa de homicídios em 50 anos, com turismo em alta (28,5 milhões de visitantes e US$4,3 bilhões movimentados) Fonte (2026).

O caso de Baltimore serve como paralelo ilustrativo, não como prova de que o mesmo roteiro vai se repetir em Florianópolis. As duas cidades partem de escalas, orçamentos e contextos institucionais muito diferentes.

7. O que isso significa para quem pensa em morar ou investir no Centro

Como referência de mercado, imóveis na Beira-Mar Norte, em produtos premium, já passam de R$15.000/m², enquanto o miolo histórico do Centro sem reforma fica entre R$10.000 e R$11.000/m² Fonte (2026). Esses valores vêm de levantamento próprio da Regente Imóveis, vale cruzar com outras fontes de mercado antes de tratá-los como referência definitiva. No plano municipal, o índice FipeZap não segmenta por bairro, apenas por cidade: Florianópolis registrou cerca de 8,65% de valorização em 2025, com preço médio de R$12.773/m² em janeiro de 2026 Fonte (2026).

Um Masterplan com 70 propostas e investimento privado de R$1,2 milhão não transforma um bairro da noite para o dia. O que ele sinaliza é intenção coordenada, comércio, prefeitura e capital privado remando na mesma direção. Para quem avalia morar no Centro de Florianópolis, esse é o tipo de sinal que vale acompanhar antes de decidir, não substituir por ele.

Perguntas frequentes

O Masterplan Floripa Centro já foi entregue?

A entrega estava prevista para março de 2026. Como este conteúdo é lido depois dessa data, o dado mais confiável é confirmar diretamente com a Prefeitura de Florianópolis ou com a CDL Florianópolis o status atual do projeto, se entregue, em ajuste ou postergado.

Quem paga pelo Masterplan Floripa Centro? É dinheiro público?

Não. O projeto foi financiado com R$1,2 milhão de capital privado, via CDL Florianópolis e ACIF, sem uso de recursos públicos. O retrofit do calçadão da Felipe Schmidt segue a mesma lógica de financiamento privado, liderado pela CDL.

Quantas propostas o Masterplan da Gehl Architects apresenta?

Mais de 70 propostas de requalificação urbana, organizadas em cinco eixos: mobilidade sustentável, espaços públicos e resiliência climática, projetar para crianças, bairros completos e turismo equilibrado o ano todo.

O Centro de Florianópolis é seguro hoje?

Existe uma reputação histórica de insegurança ligada ao esvaziamento noturno do comércio. Medidas como câmeras de reconhecimento facial e patrulhamento por bicicletas já foram implementadas, mas não há dado estatístico público que comprove queda de criminalidade associada a elas. A questão segue em aberto.

É verdade que público jovem está voltando a morar no Centro?

É uma tendência observada, não uma estatística comprovada. Não existe pesquisa censitária confirmando mudança de perfil etário no Centro. O que existe são sinais qualitativos: lançamentos residenciais compactos como o ZENN Living Residence e o Armínio 77, voltados a esse público.

O caso de Baltimore é comparável ao do Centro de Florianópolis?

É um paralelo ilustrativo, não uma previsão. Baltimore viu queda de 25% na vacância de imóveis e maioria de moradores com menos de 40 anos no downtown após revitalização, mas o contexto orçamentário e institucional das duas cidades é bem diferente.

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