O aluguel em Florianópolis não é barato. Um apartamento de 3 quartos na Trindade custa em torno de R$ 4.720 por mês. Dividido por três pessoas, isso dá R$ 1.575 por pessoa — parecido com o custo de uma kitnet individual, mas com sala, cozinha e espaço para viver. A conta faz sentido. O problema não costuma ser a conta, é o que vem depois: quem entra no contrato, como as despesas se dividem e o que acontece quando a convivência complica.
Este post foi escrito com a contribuição do time da Regente, que lida com repúblicas na Trindade e no Itacorubi todos os anos. O que está aqui não é teoria — é o que aparece quando as coisas dão errado por não ter sido combinado antes.
Dividir aluguel em Florianópolis: quem entra no contrato responde por tudo
Essa é a parte que menos gente entende antes de assinar.
Quando todos os moradores entram no contrato como locatários solidários (Art. 2, Lei 8.245/91), cada um é responsável pela totalidade da dívida — não só pela sua parte. Se um dos três moradores sumir no décimo mês sem pagar, os outros dois respondem pelo valor total. Não é solidariedade moral, é obrigação legal.
Isso tem dois lados. Quem entra no contrato tem responsabilidade maior — mas também tem mais autoridade sobre o imóvel. Quem não assina pode ser pedido para sair mais facilmente, não tem os mesmos direitos que o locatário formalizado, e fica em posição mais frágil se houver conflito.
A decisão de quem entra no contrato não é só burocracia. É a estrutura de poder e responsabilidade da república. Discuta isso antes, não depois.
O fiador não está fazendo favor
Quando uma república tem fiador — geralmente o pai ou a mãe de um dos moradores —, é comum tratar isso como burocracia. Um papel a mais no processo.
Não é. O fiador coloca o imóvel próprio em garantia para que outras pessoas possam alugar. Se a república não pagar, o bem do fiador pode ser acionado para cobrir a dívida. Isso é real, é legal e acontece.
Isso muda como os moradores devem encarar o compromisso do pagamento. Atrasar, "deixar para ver" ou sair sem comunicar tem consequência direta sobre a vida de alguém que entrou no contrato não como inquilino, mas como garantia.
Se a república tem um fiador, todos os moradores têm obrigação moral — e interesse prático — de manter os pagamentos em dia.
Antes de assinar: qual é a cultura desse apartamento?
Antes de falar em divisão de custos e regras de faxina, há uma conversa mais fundamental. Qual é o perfil de cada um? O que vai reinar nesse apartamento?
Festa, trabalho, estudo, religião, praia, esportes — cada pessoa tem uma organização de prioridades diferente. Não existe combinação errada, existe combinação incompatível. Um estudante que acorda às 6h para treinar e outro que dorme às 6h depois de uma festa não vão conviver bem, mesmo que os dois sejam ótimas pessoas.
Vale perguntar diretamente antes de fechar o apartamento:
- Você costuma receber visitas com frequência? Elas ficam até que horas?
- Como é sua rotina de segunda a sexta?
- Você fuma? Tem animal?
- Como lida com barulho para estudar ou dormir?
- Qual é o seu comprometimento com as obrigações do apartamento?
Essas perguntas podem parecer exageradas para quem está animado com a ideia de morar com um amigo. São exatamente as que evitam que esse amigo vire um problema de convivência dois meses depois.
Combinado não sai caro: o que definir antes de entrar
A maioria das brigas em república não começa no aluguel. Começa no leite que sumiu da geladeira, na louça que ficou dois dias na pia, na visita que ficou de quinta a domingo.
Divisão de custos além do aluguel
Aluguel, condomínio, água, luz e internet costumam ser divididos em partes iguais — ou proporcionalmente ao quarto, se os quartos forem muito diferentes. O que ninguém combina e vira problema:
- Mercado e alimentação: cada um compra o seu, ou tem itens comuns? Quem define o que é item comum? Quem compra e como é reembolsado?
- Produtos de limpeza: quem compra, quem usa mais, quem repõe?
- Manutenção pequena: lâmpada queimada, filtro, desentupidor — como é dividido?
Não existe resposta certa. Existe a resposta que todos concordaram antes de entrar.
Visitas
Visita é o tema que mais aparece em conflitos de república. Definir antes:
- Qual o horário limite para receber visitas nos dias de semana?
- É preciso avisar os colegas com antecedência quando vai receber alguém?
- Visita pode ficar dormindo? Por quantas noites seguidas?
- Como funciona com bebida, barulho e fumar dentro do apartamento?
Um combinado razoável: visitas bem-vindas até às 23h nos dias de semana, sem necessidade de aviso. Para fins de semana e situações excepcionais, avisar com pelo menos um dia de antecedência. Visita que fica mais de dois dias consecutivos é uma conversa separada.
Faxina, louças e manutenção
Escala de limpeza semanal funciona quando todos entram com a mesma expectativa sobre o que "limpeza" significa. Vale alinhar:
- Com que frequência o apartamento é limpo?
- Louças na pia: qual o prazo máximo antes de lavar?
- Banheiro e áreas comuns: quem cuida, com que frequência?
Ninguém precisa ser meticuloso com limpeza para morar em república. Todo mundo precisa ter o mínimo de respeito pelo espaço compartilhado — e o mínimo de cada um precisa ser compatível.
Datas de compromisso
Semanas de prova pedem silêncio. Período de TCC, de trabalho com prazo, de concurso — cada morador tem momentos que precisam de respeito ativo dos outros. Não é pedir silêncio total, é saber que está acontecendo.
Um grupo de WhatsApp ou quadro simples com "semana pesada de fulano: do dia X ao Y" resolve isso antes de virar pedido de silêncio às 23h com o vizinho nervoso.
A faculdade é mais do que as disciplinas
Morar fora pela primeira vez, administrar o próprio dinheiro, lidar com problema de encanamento, combinar divisão de conta com quem você mal conhece, resolver perrengue sozinho às 22h de um dia de semana — tudo isso é a faculdade também.
As amizades que ficam para a vida, as histórias que você vai contar daqui a vinte anos, a pessoa que você se torna ao longo desses quatro ou cinco anos — boa parte disso vai acontecer dentro e ao redor dessa república. O peso do aluguel em Florianópolis é real, mas não pode ser o motivo para você não viver essa experiência com quem você quer, no bairro que faz sentido, da forma que é sua.
O que evita que o aluguel se torne o vilão da história é exatamente o que está neste post: escolher bem com quem dividir, combinar o que precisa ser combinado e não deixar mal-entendido virar mágoa.
Como encontrar o colega de apartamento certo
A rede de contato para república em Florianópolis é mais acessível do que parece:
- Classificados oficiais da UFSC — o DCE e alguns centros acadêmicos mantêm grupos e murais de oferta e procura de moradia
- Grupos de WhatsApp da turma — quem passou no vestibular junto costuma estar no mesmo grupo; anunciar lá chega em quem está com o mesmo problema
- Veteranos do curso — alguém que está saindo de uma república boa indica o imóvel e pode apresentar os outros moradores
- Pessoas da mesma cidade de origem — quem vem da mesma cidade compartilha contexto, o que facilita a convivência nos primeiros meses
- Amigos em comum — a recomendação de alguém de confiança vale mais do que qualquer entrevista improvisada
O perfil importa mais do que a afinidade inicial. Você pode não conhecer muito a pessoa ainda — mas saber que ela tem rotina parecida com a sua, responsabilidade com compromissos financeiros e respeito básico por espaço compartilhado já é suficiente para começar.
Conflitos acontecem — a questão é como você lida
A imobiliária não tem responsabilidade sobre desentendimentos entre moradores. O contrato é entre locatários e proprietário. O que acontece dentro do apartamento é assunto dos moradores.
Isso precisa estar claro desde o começo. Se surgir conflito, não tem a quem recorrer externamente para resolver — a solução é interna.
Uma estratégia simples que funciona: combinar, antes de qualquer problema acontecer, como vai funcionar a conversa quando o problema aparecer. Com que frequência os moradores falam sobre o apartamento? Toda semana? Mensalmente? Em reunião formal ou no jantar?
Conversas difíceis evitam ações difíceis — e conversas ainda mais difíceis depois. Desconforto acumulado transforma problemas pequenos em situações grandes. A louça na pia não é sobre louça na pia depois de três meses de silêncio.
O que a lei diz quando alguém quer sair
Quando um morador quer sair da república, o contrato não se encerra automaticamente. São necessários:
- Aditivo contratual assinado por todos os locatários e pelo proprietário
- Anuência do locador — o proprietário precisa concordar com a alteração
- Novo fiador ou nova garantia, se o que estava saindo era o fiador
Enquanto o aditivo não for assinado, quem saiu continua legalmente responsável pelas obrigações do contrato. Sair de república sem formalizar a saída é um risco real — especialmente se os outros moradores deixarem de pagar depois.
A Regente orienta todo esse processo. Se você está em uma república administrada pela Regente e um morador vai sair, entre em contato antes que ele deixe o imóvel — não depois.
FAQ — República e divisão de aluguel em Florianópolis
É obrigatório colocar todos os moradores no contrato?
Não é obrigatório, mas é recomendado. Quem não está no contrato não tem os direitos de locatário — e pode ser pedido para sair sem os mesmos mecanismos de proteção. Quem está no contrato tem mais responsabilidade, mas também mais garantias.
O que é responsabilidade solidária na prática?
Significa que cada locatário responde pela totalidade da dívida, não só pela sua parte. Se um dos três moradores não pagar, o proprietário pode cobrar o valor integral de qualquer um dos outros dois. Isso é Lei 8.245/91, Art. 2.
O fiador precisa morar em Florianópolis?
Não. A Regente aceita fiador com imóvel quitado em qualquer estado do Brasil, desde que a renda e o cadastro estejam dentro dos critérios. Para locação estudantil, a renda mínima do fiador é de 4x o valor das despesas da locação.
Posso sair da república quando quiser?
Você pode sair, mas precisa formalizar a saída com aditivo contratual. Enquanto não houver aditivo assinado, você continua legalmente responsável pelas obrigações — mesmo tendo saído fisicamente do imóvel.
O condomínio pode proibir república?
O condomínio pode ter regras sobre número máximo de moradores por unidade. Antes de fechar o apartamento, vale checar o regulamento interno do prédio. Isso não aparece no contrato de locação.
Antes de fechar a república
A república certa, com as pessoas certas e os combinados certos, é uma das melhores formas de viver Florianópolis como estudante. O custo cai, o espaço aumenta e a experiência é melhor do que morar sozinho num studio.
O que transforma isso em problema é exatamente o que pode ser evitado: não combinar o que precisa ser combinado, não falar o que precisa ser falado.
A Regente tem imóveis ideais para república na Trindade e no Itacorubi — os dois bairros mais procurados por estudantes da UFSC e da UDESC. O processo é 100% digital. Veja o guia de aluguel para estudantes da UFSC e os preços de aluguel por bairro para montar a conta antes de escolher o imóvel. Fale com um consultor para ver o que está disponível.
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| Title | Como Dividir o Aluguel em Florianópolis: Contrato, Convivência e o que Combinar Antes de Assinar |
| Description | Dividir aluguel em Florianópolis: quem entra no contrato, responsabilidade legal, regras de convivência e república perto da UFSC. |
| Categoria | Moradia Universitária · Locação · Guia Prático |




