Florianópolis — História

Cinco pontos concentram o pôr do sol em Florianópolis: quase todos ficam a oeste da Ilha

Florianópolis está de frente para o Atlântico. Isso define quase tudo na cidade, inclusive onde você vai querer estar no fim da tarde. As praias mais famosas, as de mar aberto, ficam no leste. É lá que o sol nasce. Quem quer vê-lo se pôr precisa atravessar a Ilha. Do lado oeste, voltado para a […]

Cinco pontos concentram o pôr do sol em Florianópolis: quase todos ficam a oeste da Ilha

Florianópolis está de frente para o Atlântico. Isso define quase tudo na cidade, inclusive onde você vai querer estar no fim da tarde. As praias mais famosas, as de mar aberto, ficam no leste. É lá que o sol nasce. Quem quer vê-lo se pôr precisa atravessar a Ilha.

Do lado oeste, voltado para a Baía Norte e para as montanhas do continente, a água é calma e o horizonte é limpo. Foi ali que os açorianos se instalaram no século XVIII, e é ali que estão os poentes mais celebrados da cidade. Este guia reúne cinco lugares para ver o sol descer, com o que cada um entrega e o que você precisa saber antes de ir.

É um roteiro de quem conhece a Ilha por dentro, não uma lista de superlativos genéricos.

Por que o oeste da Ilha concentra os melhores poentes

A explicação é geográfica, e é simples. O leste da Ilha, onde estão Joaquina, Campeche e Praia Mole, dá de cara com o oceano aberto. É o lado do nascer do sol e das ondas. No fim da tarde, o sol some por trás dos morros que ficam às costas de quem está na praia.

O oeste é o oposto. A costa voltada para a Baía Norte olha para o continente, do outro lado de uma faixa de água protegida. Sem ondas fortes, o mar fica espelhado, e o sol se põe sobre as montanhas de Palhoça e São José. É esse encontro de água parada, silhueta de morro e céu aberto que produz o efeito.

Não por acaso, o trecho que reúne Santo Antônio de Lisboa, Sambaqui e Cacupé é chamado de Rota Gastronômica do Sol Poente. O nome não é invenção recente. Descreve o que a paisagem sempre fez ali.

Vale um aviso de honestidade. Nem todos os cinco lugares desta lista ficam exatamente a oeste. Dois deles estão na ponta norte, onde a costa curva o suficiente para ainda pegar o sol descendo sobre a água. E um está no centro geográfico da Ilha, no alto, olhando para o continente. A regra do oeste explica a maioria dos bons poentes de Florianópolis, mas a Ilha guarda exceções que valem o desvio.

Santo Antônio de Lisboa e a Ponta do Sambaqui

Se existe um cenário clássico de pôr do sol em Florianópolis, é este. Santo Antônio de Lisboa é o núcleo mais antigo de povoamento açoriano da Ilha. Os primeiros colonos vieram dos Açores em 1748, e a freguesia foi criada em 1750. O casario branco de portas coloridas, a igreja no alto e as ruas de pedra são dessa herança.

A orla é curta e plana, boa para caminhar. Os restaurantes servem ostras o ano todo, e a região é uma das maiores produtoras do país. No fim da tarde, o movimento se concentra no trapiche e nos bancos de frente para a baía. O sol desce atrás do continente, e a água reflete tudo.

Ao lado, o bairro do Sambaqui é a versão mais quieta da mesma paisagem. O nome vem dos montes de conchas erguidos por populações pesqueiras pré-coloniais há milhares de anos. Por muito tempo esses montes foram descritos como amontoados de restos. A arqueologia atual os entende como monumentos, muitos deles com sepultamentos humanos. Florianópolis tem mais de 80 sítios desse tipo, e o bairro leva o nome deles.

Para o poente, procure o Mirante da Ponta do Sambaqui, dentro do Parque Aníbal da Rocha Nunes Pires, ou o trecho da orla perto da marina. Dali dá para ver ilhas próximas e as luzes do continente começando a acender do outro lado da água.

Como chegar: fica no norte da Ilha, cerca de 20 minutos do Centro por carro fora do horário de pico. Estacionamento é limitado nos fins de semana.

Costa da Lagoa: o poente que você vê na volta de barco

A Costa da Lagoa é diferente de tudo o que está nesta lista. É uma vila de pescadores na margem da Lagoa da Conceição, sem acesso por rua. Você chega de barco ou a pé.

O barco sai do trapiche público, na Praça Bento Silvério, no centro da Lagoa. A travessia leva cerca de 30 minutos. A trilha, chamada Caminho da Costa da Lagoa, começa no Canto dos Araçás e tem cerca de 7 quilômetros por dentro da Mata Atlântica, com sombra, riachos e subidas leves.

O roteiro mais comum é ir de manhã ou no início da tarde, almoçar peixe fresco em um dos restaurantes à beira d’água e voltar de barco no fim do dia. É na volta, com a Lagoa aberta na sua frente, que o poente aparece. O efeito aqui difere do horizonte reto da baía: é a luz baixa sobre a água parada da lagoa, entre morros.

Um cuidado prático: confira o horário do último barco antes de programar a volta pelo pôr do sol. Depois do escuro, a única saída é a trilha.

Morro da Cruz: o poente visto de cima

O Mirante do Morro da Cruz fica a 285 metros de altitude, no maciço que corta o centro da Ilha. O título de ponto mais alto da Grande Florianópolis pertence ao Morro do Cambirela, em Palhoça, com mais de mil metros; o Morro da Cruz não chega lá, mas está entre os mais altos com acesso fácil, e a vista compensa a subida.

De lá o olhar cobre 360 graus: a Baía Norte, a Baía Sul, o Centro, a Ponte Hercílio Luz e a serra do continente ao fundo. É a vista panorâmica mais conhecida da cidade.

O pôr do sol aqui tem uma característica própria, e é bom saber disso antes de subir. O sol não mergulha no mar. Ele se põe atrás das montanhas do continente, do lado de Palhoça e São José. Para quem espera o disco afundando no oceano, pode surpreender. Para quem gosta de silhueta de serra recortada contra o céu alaranjado, é dos melhores.

O mirante integra o Parque Natural Municipal do Morro da Cruz, com trilhas sinalizadas e acesso gratuito. Dá para chegar de carro, de aplicativo ou por transporte público até a base. Como em qualquer área alta e isolada de cidade, vale ir com atenção e, de preferência, não sozinho ao anoitecer.

Praia do Forte e a Fortaleza de São José da Ponta Grossa

No extremo norte da Ilha, entre Jurerê e a Praia da Daniela, a Praia do Forte é uma faixa discreta de areia clara e mar calmo. É menos badalada que as vizinhas, com poucos quiosques e comida de mar simples à beira d’água. Boa para um fim de tarde sem pressa.

O que muda o patamar do lugar é o vizinho: a Fortaleza de São José da Ponta Grossa, construída pelos portugueses em meados do século XVIII para defender a barra norte. Restaurada, é hoje um dos monumentos históricos mais bem preservados de Florianópolis.

Se der para agendar a visita para o fim da tarde, suba até as muralhas. O sol descendo sobre a água, visto do alto de uma fortaleza de quase 300 anos, é uma combinação difícil de bater. Confira os horários de funcionamento antes, porque a fortaleza fecha no início da noite e não acompanha o poente no verão.

Ponta das Canas: o poente de mar calmo no norte

Ponta das Canas fica na ponta norte da Ilha, onde a costa se curva o bastante para pegar o sol descendo sobre a água. É uma praia de areia fina e clara, mar raso e sem ondas fortes, o que a torna popular entre famílias com crianças.

Esse mar tranquilo é o que faz o poente funcionar. A água quase sem movimento vira um espelho baixo no fim do dia. É um pôr do sol de praia, mais aberto que o da baía e mais simples de acessar que o da Costa da Lagoa.

Como fica longe do Centro, cerca de 35 quilômetros, faz mais sentido como destino de um dia inteiro no norte da Ilha do que como escapada rápida no fim da tarde.

Como planejar o seu pôr do sol

Alguns pontos práticos que valem para qualquer um dos cinco lugares.

Horário. Florianópolis não adota mais horário de verão. O sol se põe por volta das 17h no auge do inverno e perto das 19h no auge do verão. Confira a hora exata do dia antes de sair e chegue com 30 a 40 minutos de folga, porque a melhor luz vem antes de o sol tocar o horizonte.

Céu. Dia de céu totalmente limpo dá um poente bonito, mas é o céu com algumas nuvens que costuma render as cores mais fortes. Vento sul depois de uma frente fria costuma limpar o ar e melhorar a vista para o continente.

Trânsito. O norte da Ilha congestiona no fim da tarde de verão e nos fins de semana. Para Santo Antônio, Sambaqui e Ponta das Canas, saia com antecedência.

Perguntas frequentes

Qual o melhor lugar para ver o pôr do sol em Florianópolis?

Não existe resposta única, porque depende do que você procura. Para o cenário clássico com gastronomia, Santo Antônio de Lisboa e a Ponta do Sambaqui, na Rota do Sol Poente. Para vista panorâmica do alto, o Morro da Cruz. Para uma experiência mais isolada, a Costa da Lagoa. O que os melhores pontos têm em comum é a face voltada para a Baía Norte ou para o continente, no oeste e no norte da Ilha.

Onde fica a Rota Gastronômica do Sol Poente?

É o trecho da costa noroeste da Ilha que reúne os bairros de Santo Antônio de Lisboa, Sambaqui e Cacupé, voltados para a Baía Norte. O nome vem da combinação de restaurantes de frutos do mar, sobretudo ostras, com o pôr do sol sobre a água calma da baía.

Que horas o sol se põe em Florianópolis?

Como a cidade não usa mais horário de verão, o pôr do sol varia de cerca de 17h no inverno a perto de 19h no verão. Consulte a hora exata do dia da sua visita e chegue antes, porque a luz mais bonita aparece nos minutos que antecedem o poente.

Dá para ver o sol se pôr no mar em Florianópolis?

Em parte. Nos pontos da Baía Norte, como Santo Antônio de Lisboa e Sambaqui, o sol desce sobre a água da baía e atrás das montanhas do continente, não sobre o oceano aberto. Nas praias da ponta norte, como Ponta das Canas, o sol desce mais próximo da linha da água. O oceano aberto, no leste da Ilha, é o lado do nascer do sol, não do poente.

Precisa pagar para subir no Morro da Cruz?

Não. O Mirante do Morro da Cruz integra o Parque Natural Municipal do Morro da Cruz e tem acesso gratuito. Dá para chegar de carro, aplicativo ou transporte público até a base. Por ser área alta e isolada, o ideal é ir acompanhado e com atenção ao anoitecer.

Conhecer a Ilha por dentro

O pôr do sol é uma boa porta de entrada para entender Florianópolis. Ele mostra, em um gesto simples, a lógica da Ilha: o leste do oceano e das ondas, o oeste da baía e da calmaria, o norte da areia clara e o maciço no meio de tudo. Quem escolhe onde morar aqui acaba, mais cedo ou mais tarde, escolhendo de que lado da luz quer estar.

Na Regente, esse tipo de leitura do território faz parte do trabalho. Conhecer um bairro é conhecer sua orientação, seu ritmo e o que ele entrega no fim da tarde, não só o preço do metro quadrado. Se você está pensando em morar ou investir em Florianópolis e quer entender a Ilha por dentro, fale com a nossa curadoria ou comece pelos guias de Santo Antônio de Lisboa e de morar em Florianópolis.

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