O banco pediu sua escolha: SAC ou Tabela Price. A pergunta parece simples, mas a diferença entre os dois sistemas pode chegar a R$ 94.000 no custo total do financiamento.
A distinção não está na taxa de juros — ela é a mesma nos dois casos. Está em como o banco amortiza o principal ao longo do tempo. Esse detalhe define o tamanho da parcela nos primeiros anos, a velocidade com que o saldo devedor cai e quanto você paga de juros no total.
Para a maioria dos perfis, o SAC economiza mais. Mas a Tabela Price existe por uma razão — e há situações em que ela é a única via viável. Veja o cálculo real antes de assinar qualquer contrato.
SAC ou Tabela Price: como funciona a amortização constante no SAC
Entender a diferença entre SAC e Tabela Price começa pelo conceito de amortização constante. No SAC — Sistema de Amortização Constante — o banco divide o principal em parcelas iguais ao longo de todo o prazo do contrato.
Se você financia R$ 300.000 em 240 meses, paga R$ 1.250 de amortização todos os meses, sem variação. O que muda é o componente de juros: no mês 1, eles incidem sobre R$ 300.000; no mês 60, sobre um saldo já reduzido. Por isso, a parcela cai mês a mês — a primeira é sempre a maior do contrato.
Para um financiamento de R$ 300.000, 240 meses e taxa de juros nominal de 10,26% a.a. (Caixa Econômica Federal, indexação TR):
- Parcela no mês 1: ~R$ 3.820 (R$ 1.250 de amortização + R$ 2.570 de juros)
- Parcela no mês 120: ~R$ 2.500
- Parcela no mês 240: ~R$ 1.254
O saldo devedor cai de forma linear. Isso é decisivo para quem planeja usar o FGTS para amortizar: no SAC, a mesma quantia produz mais efeito porque a base de cálculo dos juros reduz com mais velocidade. Saiba mais sobre o uso estratégico do FGTS no financiamento.
A parcela inicial mais alta tem uma limitação direta: exige maior comprovação de renda. O banco analisa o comprometimento de renda pela primeira parcela no momento da aprovação — a maior de todas no contrato SAC.
Como funciona a Tabela Price — e o que a parcela fixa esconde
Na Tabela Price, a parcela é idêntica do início ao fim. Isso simplifica o planejamento mensal — mas não significa que a estrutura interna é vantajosa.
Nos primeiros meses, a maior parte da parcela vai para juros. A amortização do principal começa pequena e cresce lentamente ao longo dos anos. O saldo devedor cai devagar no início — o que tem duas consequências diretas:
- Você paga muito mais juros totais ao longo do prazo
- Uma amortização antecipada nos primeiros anos produz menos impacto do que no SAC
Para o mesmo financiamento (R$ 300.000, 240 meses, 10,26% a.a.):
- Parcela fixa: ~R$ 2.960/mês
- Mês 1: R$ 690 de amortização + R$ 2.570 de juros (quase tudo é juro)
- Total pago ao fim do contrato: ~R$ 710.000
A parcela menor no início não é gratuidade — é diferimento de custo. A conta vem nos juros acumulados nas últimas centenas de meses.
Existe um risco adicional em contratos indexados pela TR com taxas altas: o saldo devedor pode crescer nos primeiros anos ao invés de cair. É o fenômeno da amortização negativa, mais comum em contratos Price em períodos de inflação elevada. Para entender como o indexador afeta seu contrato, a escolha entre TR e IPCA importa tanto quanto o sistema de amortização.
SAC vs. Tabela Price: qual economiza mais em um financiamento real?
A comparação direta responde a pergunta concreta: a diferença de juros totais pagos é grande o suficiente para importar na prática?
Com R$ 300.000 financiados, 240 meses e taxa de 10,26% a.a. (Caixa Econômica Federal, TR):
A Tabela Price custa R$ 94.000 a mais — o equivalente a 31% do valor financiado. Para que esse custo adicional valha financeiramente, seria necessário aplicar os R$ 860/mês de diferença em um investimento que rendesse mais do que a taxa de juros nominal do financiamento por 20 anos consecutivos. Na prática, isso raramente ocorre de forma consistente.
O argumento da "parcela menor no início" só funciona em casos específicos — não como regra de decisão geral.
Quando cada sistema faz sentido — e como decidir sem erro
O SAC e a Tabela Price atendem perfis distintos. Escolher só pelo critério "qual tem parcela menor" é a armadilha mais comum.
A decisão gira em torno de três perguntas práticas: a parcela do SAC cabe nos 30% de comprometimento de renda? O contrato vai durar mais de 10 anos? Há plano de amortização com FGTS ou capital próprio ao longo do prazo? Se as três respostas forem sim, o SAC quase sempre ganha — e por margem expressiva.
Perfis que ganham com o SAC
O SAC é a escolha mais eficiente quando:
- A parcela inicial cabe no limite de comprometimento de renda (30%) — a aprovação usa a parcela maior como referência
- O plano inclui amortizações parciais a cada 2 anos com FGTS: a queda do saldo devedor é mais expressiva
- O imóvel é moradia principal de longo prazo: a parcela decrescente ajuda nos anos em que outras despesas crescem
- O prazo do contrato ultrapassa 15 anos: a diferença de custo total aumenta com o tempo
Perfis que ganham com a Tabela Price
A Tabela Price faz mais sentido em situações específicas:
- Fluxo de caixa ajustado para investimento: a parcela fixa torna previsível se o aluguel cobre o financiamento, o que é decisivo em estratégias de alavancagem imobiliária.
- Renda no limite de aprovação: quando a parcela do SAC ultrapassa 30% da renda bruta, a Price às vezes é a única via para aprovar o crédito.
- Necessidade de LTV maior: o teto na Caixa é 80% no SAC e 70% na Price — quem tem entrada menor pode não ter escolha.
- Prazo efetivo curto: quem planeja quitar em menos de 5 anos paga diferença de juros totais menor, e a previsibilidade da parcela compensa.
Perguntas frequentes — SAC ou Tabela Price
Qual sistema tem a parcela inicial mais baixa?
A Tabela Price sempre tem a parcela menor no início. No exemplo de R$ 300.000 em 240 meses, a diferença é de R$ 860/mês. Mas essa parcela permanece constante até o fim, enquanto no SAC ela cai progressivamente — e o custo total da Price é ~R$ 94.000 maior.
Posso mudar de sistema depois de contratar o financiamento?
A portabilidade de financiamento imobiliário permite trocar de banco e, em muitos casos, renegociar o sistema de amortização junto com a taxa. Dentro do mesmo banco, a troca exige repactuação contratual — ocorre, mas não é padrão. O custo da portabilidade precisa ser comparado com a economia de juros ao longo do prazo restante.
O FGTS funciona da mesma forma nos dois sistemas?
O FGTS amortiza o saldo devedor em ambos os sistemas. O impacto é maior no SAC: como o saldo cai mais rápido, a mesma quantia de FGTS reduz mais os juros futuros. Na Price, o saldo dos primeiros anos cai devagar — o FGTS tem menos alavancagem nesse período inicial.
A Caixa oferece os dois sistemas?
Sim. Na Caixa Econômica Federal, o LTV máximo é 80% no SAC e 70% na Tabela Price. Essa diferença pode ser decisiva: quem tem entrada menor pode não conseguir aprovação no SAC e precisa usar a Price para viabilizar o valor total do financiamento.
É possível negociar o sistema com o banco?
Em alguns bancos, sim — especialmente em financiamentos de alto valor ou para clientes com bom relacionamento. A estratégia é negociar a taxa do financiamento e o sistema ao mesmo tempo, comparando propostas de múltiplos bancos.
Como decidir — e simular com números reais
A decisão entre SAC e Tabela Price não é complicada. Ela exige dois cálculos concretos: quanto a parcela inicial representa da sua renda e quanto tempo o contrato vai ficar ativo.
Para moradia principal com prazo longo, o SAC economiza mais em praticamente todos os cenários. Para investimento com fluxo de caixa apertado ou prazo efetivo curto, a Price pode ser a via que viabiliza a operação.
O que nenhuma calculadora online mostra é o CET (Custo Efetivo Total) real — que inclui seguros obrigatórios, tarifas e as condições específicas do imóvel avaliado. Antes de decidir, leia sobre como funciona o financiamento imobiliário no Brasil para ter o mapa completo do processo.
A Regente assessora financiamentos em Florianópolis com acesso a múltiplos bancos e estrutura de correspondente bancário. Solicite uma simulação sem compromisso e compare SAC e Price com os números do seu perfil.
Links internos utilizados
- "diferença entre SAC e Tabela Price" → `/blog/sac-ou-tabela-price-diferenca` *(este artigo — âncora canônica)*
- "uso estratégico do FGTS no financiamento" → `/blog/fgts-compra-imovel-vale-a-pena`
- "indexador afeta seu contrato" → `/blog/indexador-financiamento-imobiliario-tr-ipca`
- "alavancagem imobiliária" → `/blog/alavancagem-imobiliaria-aluguel-paga-parcela`
- "portabilidade de financiamento imobiliário" → `/blog/portabilidade-financiamento-imobiliario`
- "negociar a taxa do financiamento" → `/blog/negociar-taxa-financiamento-imobiliario`
- "como funciona o financiamento imobiliário no Brasil" → `/blog/como-funciona-financiamento-imobiliario-brasil`
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SAC ou Tabela Price? A diferença não é só a parcela. Em um financiamento de R$ 300k em 20 anos, a escolha errada pode custar R$ 94.000 a mais em juros. Saiba qual sistema se encaixa no seu perfil 👉 link na bio
- Gancho para Reels:
"O banco te perguntou SAC ou Tabela Price. A maioria responde errado. Veja quanto isso custa."
- Trecho para LinkedIn:
Muita gente escolhe a Tabela Price pelo argumento da parcela menor no início. Mas em um financiamento de R$ 300.000 em 240 meses, essa escolha custa R$ 94.000 a mais em juros totais — o equivalente a 31% do valor financiado. O SAC tem parcela inicial maior, mas custa muito menos no total. A exceção existe — e é específica. Detalhei os dois sistemas com cálculo real no blog da Regente.
| Slug | |
|---|---|
| Title | SAC ou Tabela Price: qual sistema de amortização certo para você? |
| Description | SAC ou Tabela Price: descubra qual sistema de amortização economiza mais juros no seu financiamento imobiliário e quando cada um faz sentido. |
| Categoria | Financiamento Imobiliário · Planejamento Financeiro |
| Sistema | Parcela inicial | Parcela final | Total pago |
|---|---|---|---|
| SAC | ~R$ 3.820 | ~R$ 1.254 | ~R$ 616.000 |
| Tabela Price | ~R$ 2.960 | ~R$ 2.960 | ~R$ 710.000 |
| Diferença | R$ 860/mês | — | ~R$ 94.000 |



