Institucional

100 Anos da Ponte Hercílio Luz — Carta Aberta da Regente Imóveis à Velha Senhora

A Regente nasceu em 1998 — 72 anos após a ponte, 7 após o fechamento. A cidade que a Hercílio Luz construiu nos formou como empresa. Obrigada, Velha Senhora.

Ponte Hercílio Luz em Florianópolis — patrimônio histórico de Santa Catarina completando 100 anos em 2026

Era quinta-feira, 13 de maio de 1926. Chovia tanto que a batina do padre Jayme Câmara escorria água enquanto ele tentava abençoar a obra. Não importou. A multidão foi assim mesmo.

O governador Bulcão Viana cortou a fita. Gritou “Viva Santa Catarina!” O eco se multiplicou pela chuva.

Naquele momento, Florianópolis deixou de ser uma ilha esperando pelo bom tempo.


O que a Velha Senhora fez antes de nós existirmos

Antes da ponte, uma ventania forte parava Florianópolis por dias. A capital dependia de balsas para qualquer contato com o continente. Havia pressão política real — e constante — para transferir a sede do governo a uma cidade do interior.

Florianópolis tinha 40.000 habitantes. E uma pergunta em aberto: seria capital de verdade?

A Hercílio Luz encerrou esse debate de uma vez — em aço e 50.000 rebites.

Ela não apenas conectou a ilha ao continente. Ela declarou, em estrutura e concreto, que Florianópolis seria capital — e que capital ela seria. O bairro Estreito cresceu onde antes havia descampado. O Centro histórico ganhou o fluxo que merecia. As famílias chegaram por estrada, não mais por mar.

Cada imóvel que existe em Florianópolis hoje carrega, em alguma medida, o DNA da Hercílio Luz.

Mas havia algo que ninguém contava ainda.


Nós nascemos numa cidade sem a ponte

Janeiro de 1982. Um inspetor sobe na estrutura, leva a lanterna ao ponto errado e encontra uma rachadura de 60 centímetros em uma das barras de suspensão. O mesmo tipo de falha que havia derrubado a Silver Bridge nos Estados Unidos em 1967 — matando 46 pessoas em menos de um minuto.

A interdição veio no mesmo dia. Em 1991, virou permanente.

A Regente foi fundada em 1998. Naquele ano, a ponte estava fechada havia 7 anos — sem previsão de reabertura.

Florianópolis cresceu sem ela. Nós crescemos sem ela.

Mas a cidade que a ponte havia construído entre 1926 e 1991 era exatamente a cidade que nos formou. Os bairros consolidados, a vocação para receber pessoas de todo o Brasil, a identidade de capital que não pede desculpa por ficar numa ilha — tudo isso foi obra dela.

Durante 21 anos, acreditamos que a Velha Senhora voltaria.


O que a reabertura de 2019 significou para nós

30 de dezembro de 2019. Réveillon se aproximava. Alguém acendeu as luzes da ponte.

Estávamos na fila. Não era metáfora — estávamos entre as 200.000 pessoas que foram às ruas para ver a ponte acesa e aberta depois de quase três décadas.

Nenhuma apresentação. Nenhum show. Só a estrutura iluminada e uma cidade inteira parada na beira da água, olhando para algo que havia sumido da memória viva de muita gente.

Para quem atua no mercado imobiliário de Florianópolis há décadas, a reabertura foi mais do que infraestrutura. Foi a devolução de uma identidade. O Estreito, que já vivia bem, ganhou novo fôlego. O Centro ficou ainda mais conectado. A cidade inteira ficou, por um momento, orgulhosa do que sempre soube ser.

A Velha Senhora voltou — e trouxe valor com ela, no sentido mais literal e mais simbólico que essa palavra tem no mercado imobiliário.


100 obrigados, Velha Senhora

Obrigada por ter existido antes de nós.

Por ter mantido Florianópolis como capital quando havia quem duvidasse. Por ter criado o Estreito, dado ao Centro o fluxo que ele merecia e mostrado que infraestrutura e identidade são a mesma coisa quando uma cidade tem caráter.

Por ter resistido onde as outras do mesmo projeto colapsaram. A Silver Bridge caiu em 1967. A Fort Steuben foi demolida anos depois. Você é a única que ficou em pé — restaurada, nova e mais respeitada do que nunca.

Por ter sido fechada durante 28 anos sem ser destruída. E por ter voltado mais forte.

E obrigada por ser o argumento mais antigo que temos de que Florianópolis não é destino por acidente. É destino por escolha — de engenheiros norte-americanos com visão de longo prazo, de um governador que morreu sem ver a obra pronta, de uma cidade que sempre quis ser mais do que uma ilha.

Nós escolhemos esta cidade. Ela já tinha sido escolhida há 100 anos.

Parabéns, Velha Senhora. Que os próximos 100 sejam seus também.

— Equipe Regente Imóveis, Florianópolis, 13 de maio de 2026


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